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A Fundação BRASILCAMPEÃO seleciona e prepara pessoas apaixonadas e
conscientes para atuar como mediadores de leitura.
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Perfil: Mariana Melo

Quando surge na porta, é capaz de despertar uma série de sorrisos. Traz uma porção de alegria que não se esgota. Permanece. A mão que toca a corrente do pescoço com insistência e a leva a boca. O olhar especial de menina que combina com a voz que acalma.

Essa é Mariana Melo, 15. Pouco tempo de estrada, mas tem tanto a ensinar, a passar... Chegou à Fundação Dixtal pela indicação de sua professora de Português, Juliana Cardoso, a qual lhe deu aula desde a sétima séria do ensino fundamental.

Com a dica da professora, que avisou que no dia seguinte (sábado) haveria a última formação para atuar ainda em 2009, resolveu visitar a sede da FD. Com olhar longínquo tenta recordar os detalhes da data. “Eu tinha duas opções: ir para casa almoçar e esquecer as palavras da Juliana (professora) ou ficar sem almoçar e fazer minha inscrição”. Escolheu pelo trabalho voluntário.

Optou por tocar a campainha e subir as escadas que levam ao escritório da FD, sem muita certeza do que havia depois da porta. “A primeira pessoa que falou comigo foi a Eliane”, lembra Mariana. Eliane Alvares, coordenadora geral da Fundação, recebeu a menina com o grande carinho corriqueiro. Apresentou as equipes e explicou sobre o Programa 1 Milhão de Rodas.

“Fiquei encantada com as pessoas”, contou. Ressaltou também a boa memória que tem: “decorei o nome de todo mundo de primeira”. Durante os próximos minutos permaneceu sentada conhecendo um pouco mais sobre o que a FD faz e qual o objetivo das Rodas de leitura.

No sábado, dia da primeira formação de Mariana, a água descia do céu o tempo inteiro. Mas não foi capaz de segurar a jovem em casa, que ainda trouxe uma amiga para participar do curso, mais uma Mariana. Nesse dia pode conhecer o salão lúdico e não pode esconder o entusiasmo. “Nossa! Que lindo.” Os olhos percorreram o formato do teto, com sua escada, folha e livro em formato de luz.

Depois desceram ao colorido das paredes e seguiu pelas prateleiras com livros infantis. “O engraçado foi que fiquei pensando que seria o máximo trabalhar ali”.
Durante o almoço, Mari – como passou a ser chamada – contou sobre seus sonhos futuros, como o de cursar farmácia ou química ao fim do ensino médio. Falou bastante e veio com boa dose de entusiamo. Encantou a muitos com seu jeito exclusivo de menina madura. Talento puro.

“Achei a formação muito inteligente, guardei toda a metodologia na cabeça”, brinca. Hoje, tenta aplicar em tudo o triângulo do físico, cognitivo e emocional. “Como eu não pensei nisso antes?”, diz a garota. Acima de tudo, segunda ela, esse primeiro dia foi muito divertido.

Mariana divide seu tempo entre a escola, o inglês, o grupo de teatro e ainda trabalha aos finais de semana. “Precisei faltar no emprego para participar da Formação”. Ao final do dia, a atitude de ligar para a mãe, e contar todo o aprendizado que havia ganhado, foi instantânea. As primeiras palavras foram: “Ainda bem que eu faltei”. Quando ouviu do outro lado da linha a pergunta se ela voltada nos próximos dias, não precisou pensar na resposta: “Não perderia por nada”.

Durante essa semana aconteceu o último encontro de sua Roda, na Instituição Rainha da Paz. Recordou como foi o primeiro dia com eles e lembra que a frustração foi inevitável. “Fizeram muito barulho e eu fiquei com medo de não ter conseguido aplicar o que aprendi”. Ficou com esses pensamentos por uma semana, até o próximo encontro.

Percebeu que os tinha cativado quando chegou e estavam esperando por ela e pela Roda. Trabalhou com os livros Julieta de bicicleta, O grande livro do medo e Fábulas de Esopo, entre outros. No final do dia, olhou nos olhinhos de cada um e era como se dissessem “já acabou?”. “Descobri que meu tempo é precioso para alguém”, afirma.

Hoje, consegue enxergar a evolução que a Roda proporcionou a ela. E leva isso para tudo que tem feito. Está lendo Aprendiz de mim, de Rubem Alves e diz que a obra está lhe proporcionando diversas reflexões. Aprendeu, por exemplo, o quanto é bom parar um tempo para observar o outro, para desfrutar de pequenos momentos com o próximo.

Toda essa revolução em tão pouco tempo, trouxe até mudanças quanto a carreira que pretende seguir. “Agora eu sou de humanas. Quero muito fazer psicologia e trabalhar com pessoas”, conta deixando ainda mais evidente as sardas que tem no rosto – e que ela adora.

Continua voluntária da Fundação Dixtal para 2010. São, principalmente, duas as coisas que a mantém fiel ao Programa. A primeira é a crença de que a leitura é capaz de modificar as pessoas, de fazer com que elas cresçam. A outra é por si própria. “Eu continuo também por mim, porque quero viver num mundo melhor”.

Encantada com o trabalho voluntário, Mariana se juntou aos amigos Thiago Nunes e Mariana Leitão e, juntos, estão estruturando formas de divulgar e incentivar a atividade juntos aos colegas de escola e outros jovens, que como eles, querem colaborar na criação de uma cultura mais solidária na nossa sociedade.

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