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A Fundação BRASILCAMPEÃO seleciona e prepara pessoas apaixonadas e
conscientes para atuar como mediadores de leitura.
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Uma Roda para cada gosto

por Karine Sugimoto

O que eu gosto e o que eu não gosto. Esse foi o tema da nossa primeira Roda juntos, a intenção era descobrir, conhecer mais sobre cada uma daquelas crianças, de 06 a 12 anos. Confesso que não estava preparada para tamanha vivacidade: “Estou aqui porque adoro ler”, “Posso te chamar de Karina Bachi? E Kaká?”.

Pedi que olhassem as revistas e fossem recortando as coisas que gostavam e também as que não gostavam. O cartaz dos gostos foi ficando gordo de carros, vídeos-game, celulares, uma nota de cinqüenta, televisores, perfume, champagne, roupas, caderno, leite, livros, Michel Jackson, fio dental, festa, Wolwerine, tênis e óculos.

cartaz

Enquanto fazíamos a colagem, Geise contava sua paixão pelos filmes de terror, e enquanto ia falando das mortes e de como o vilão usava a serra elétrica, as outras crianças iam acrescentando, “e aquele filme que a pele do cara derrete na pia, você viu?”. “Ontem assisti um filme que a mulher era mó safada, o cara deu uns safanões nela”.

No meio da conversa, começamos então a outra etapa da Roda, fazer a colagem dos “não gostos”. Tuani escolher um colar de macumba – como ela mesma denominou – disse que não gostava dessas coisas, “essa gente faz maldade para as pessoas”. Intrigada, perguntei as outras se elas conheciam alguém que “mexia” com isso e sem pestanejar, Lucas respondeu: “Isso é mentira, minha vizinha vive no terreiro e não faz mal nenhum e também não aceita fazer para quem pede”.

roda

Continuei dizendo que quando colocamos todas as pessoas no mesmo saco, não levamos em consideração o que elas realmente são e que isso pode ser perigoso. Perguntei se elas (moradoras em favela) já tinham sido descriminadas, e sem que precisasse completar, Cleiton soltou “não somos ladrões”. Sinal de que tinham entendido meu objetivo com aquelas perguntas.

Jhonathas reparou que o cartaz dos “não gostos” estava quase sem figuras. Ressaltei: ”Olha, é verdade! Porque será?” e ele mesmo deu a resposta “não gosto de lembrar das coisas que não gosto”. Todos concordaram. Não fui além, senti que não era o momento.

Como que querendo resolver o problema perguntaram se ao invés de colar, poderiam escrever. Incentivei. Acabou com porcos, cerveja, sushi, caderno, remédio, violência, briga, drogas, cigarro, bêbado, bagunça, chapéu, Ben10.

Não sei o que pensar dos cartazes. Será que os nossos gostos estão restritos ao ter? Será que as revistas transmitem felicidade pelo consumo? Ter é um meio de sentir-se pertencido a algo? Em que aspecto me diferencio deles? Como trabalhar tudo isso de forma leve, gostosa?

Por enquanto, para a próxima Roda combinamos uma Manhã do Terror, já que eles gostam tanto. Faremos a decoração na Roda e cada um vai contar ou ler uma história que goste e que arrepiam os cabelos.

Roda – BMF Bovespa – Paraisópolis
Todas as Terças às 8h

Rua Geraldo Fraga de Oliveira, 624/628 | Jd. S. Luis - São Paulo - SP | CEP 05843-000 | Fone: 11 5852-5452