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A Fundação BRASILCAMPEÃO seleciona e prepara pessoas apaixonadas e
conscientes para atuar como mediadores de leitura.
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Expansão leva Roda a novos lugares

Durante o mês de abril, a Fundação Dixtal disponibilizou a formação de voluntários em diversas instituições para que as Rodas começassem a acontecer também dentro delas. O objetivo é expandir o Programa 1 Milhão de Rodas cada vez mais e, assim, possibilitar que um maior número de pessoas se encontrem e se relacionem. Assim, cada instituição fica responsável pela captação dos voluntários-mediadores – que podem ser funcionários da própria instituição – e a Fundação fica responsável pela formação deles e pelo acervo e acompanhamento das Rodas.

Confira um pouco de como foram esses encontros:


Fundação Casa, em Franco da Rocha

Através da porta fechada para evitar o barulho, dava para ouvir o som alto das risadas que aconteciam lá dentro. No interior de uma sala pequena, com paredes claras e algumas cadeiras de madeira, braços entrelaçavam-se uns nos outros, enquanto o abraço rodava por aquele espaço. Alguns presentes haviam se conhecido na parte da manhã. Mas o calor do abraço era responsável pelos sorrisos.

A discussão havia sido iniciada por meio do livro Sete Histórias para Contar, de Adriana Falcão. Dentre as histórias, a Roda era mediada com A menina que só pensava em daqui a pouco. Começou-se a brincar com o tempo, com o que fazer em cada daqui a pouco, como planejá-los e como nos preparar para quando chegarem – daí já terão se tornado “agora”. E como programar o tempo de ter uma idéia? O tempo de um sorriso?

Esse foi um pedacinho da formação de mediadores de leitura, que aconteceu no último dia 27, com educadores do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Fundação Casa). O encontro teve início às 9h e contou com a presença de 13 funcionários, de unidades distintas, sendo a maioria feminina. O dia foi “inspirador”, traduziu Sandra Fonseca.

Na parte da manhã, durante a apresentação de cada um, Aline Bueno, pedagoga, contou que está na Fundação Casa por opção. “Era um desejo meu, desde a faculdade, atuar com meninos em vulnerabilidade social”, disse a agente. Fazia parte da dinâmica a escolha de um dos livros espalhados sobre o tapete. Sua escolha foi Quem tem Medo do Novo, de Ruth Rocha. “Optei por este por causa dos meninos, pois sei como é difícil a adaptação ao novo”.

Foi a mesma motivação que levou Sandra Regina Vieira a escolher o livro O Limpador de Placas, de Monika Feth. “Essa fisionomia tranqüila do menino da capa me lembrou os internos”, disse. Sandra é psicóloga e sonhava em fazer turismo. “Eu não me arrependo de não ter ingressado no curso, porque adorei fazer psicologia”. Contou ainda que a Fundação Casa foi responsável por mudar sua visão quanto aos meninos de rua.

Após discorrer sobre os conceitos do Programa 1 Milhão de Rodas, foi apresentado ao grupo diferentes práticas de leitura: contação e mediação, respectivamente. Na primeira forma, Andrea Rissardo, coordenadora da área de Alianças Estratégicas, leu Esta é Silvia, de Jeanne Willis. A contação, embora também seja usada dentro das Rodas, traz somente o olhar de quem lê o texto, não estimulando a co-autoria. A mediação, por sua vez, é interativa e possibilita uma construção coletiva de histórias.

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No fim do dia, Claudia Honorato contou sobre a recordação da época do seu magistério. “Foi tudo muito significativo. Se houvesse Rodas em todos os lugares seria muito melhor”, afirmou a educadora. E terminou dizendo que colocará tudo em prática com os meninos.


Clave do Sol, em Itapecerica da Serra

O caminho para chegar na entrada cheirava a terra molhada. As paredes estavam longe de serem de concreto ou de qualquer material firme como os de construções tradicionais. Sua base era de plástico e lembrava a estrutura dos grandes circos. Nas paredes, lonas coloridas subiam até formar um triângulo no teto. Colada com velcro, as janelas se abriam para circular o ar no interior do espaço.

O público era formado, majoritariamente, por estudantes do primeiro ano de pedagogia. No entanto, havia ainda psicólogos e Rosa Machado, que era diretora de uma escola pública em Itapecerica da Serra. No total, estavam presentes 23 pessoas.

A formação foi mediada por Eulália Calixto, coordenadora de Pesquisas e Novas Tecnologias na Fundação Dixtal. Na parte da manhã conversaram sobre a relação do ser humano com a língua, desdobrando o tema em oralidade, escrita e leitura. Fez com que Paula Guerra, leitora assídua desde os tempos em que a avó costureira lhe dava livros, lembrasse de uma frase de seu sobrinho de um ano e meio de idade: “Tia, se você não lavar a mão para almoçar, ela vai ficar cheia de bactérias”. Risadas coletivas.

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Depois do almoço, divididos em cinco grupos eles fizeram a “tradução” de um texto com algumas palavras inexistentes. Além do bom humor presente em todos os círculos, o resultado foi muito engraçado. A história contada por eles consistia num encontro de um casal, em que ambos usavam perucas e descobriam isso dentro de um restaurante. Um grupo, no entanto, usou dinheiro no lugar de peruca e construiu um a nova história em cima dessa hipótese.

Ao demonstrar as práticas de leitura, durante a contação de histórias, ouviram o texto Vida de Piolho, do livro Sete Histórias para Contar, de Adriana Falcão. Era a história de Godofredo, um piolho que adorava filosofia e ficava pegando o pensamento das pessoas. O final da história ficou por conta da curiosidade de cada um descobrir, deixando Duda (Altiene Helena) bastante ansiosa pelo desdobramento do caso.

No entanto, no momento que participaram da mediação com o livro Pequeno Manual de Monstros Caseiros, de Stanislav Marijanovic, as risadas estamparam-se nos rostos. Paula mostrou como a monstra Hister Ica agia em sua casa, gritando a todos – como faz com seus filhos - para “escovar os dentes”, “tirar a toalha molhada da cama” e “guardar os sapatos”.

Por fim, todos escreveram em um papel colorido sobre seus medos. Assim criaram o Manual de Monstros do próprio grupo. Para o do escuro, chamaram-no de Inêscuro. Para o que tinha medo de barata voadora, Barateocóptero. Todos juntos, formou-se um mural colado na porta do armário.


Secretaria de Cultura de Embu das Artes

No comecinho de abril, dentro do salão lúdico da Fundação Dixtal, seis pessoas começavam a participar da formação para mediadores de leitura, todas de Embu das Artes. Sonia, Edinamar, Marli, Cibele, Lúcia e Rose. Juntas, foram responsáveis pela alegria do encontro.

A maioria era bibliotecária e, portanto, tinha muita proximidade com os livros. E o que é leitura para esse grupo? “Saber”, “fantasia”, “curiosidade” foram algumas das palavras que apareceram para descrever o que, para elas, significava o ato de ler.

Sonia dos Santos relatou sua experiência na biblioteca de Embu, onde trabalha diretamente com crianças e já fez algumas contações de histórias. “Levei um tapete de casa, desses quadrados mesmo, e li com eles a história da Chapeuzinho Vermelho”, contou.

E no momento da mediação, foi Sonia quem trouxe a sua história a tona. O livro utilizado foi Todo Mundo tem Amigo, de Anna Claudia Ramos e Ana Raquel. “Ninguém pode viver isolado”, lembrou a bibliotecária, sempre com o sotaque nordestino marcado em sua fala.

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Durante a história, a discussão girou em torno do que é ser amigo, de como são esses amigos e como é construída essa amizade. Falou-se de amigo-da-onça, lembrando que cada um já foi um pouquinho disso também. Falou-se de amigo-urso e, nesse momento, um abraço apertado e fofinho percorreu todo o ambiente, cruzando todos os braços.

Já no segundo encontro, era o momento de colocar a mão na massa e se divertir construindo roteiros e aventais. Na parte da manhã, estudaram os ciclos de formação do leitor e como planejar a Roda de acordo com o momento que o grupo está passando. Divididos em três duplas, apresentaram os livros e a idéia de como trabalhá-los.

Na parte da tarde a alegria foi completa. Lucia Pereira e Cibele Santana usaram o livro Um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel, O Pensador. No fundo roxo do avental, apareceram uma casinha vermelha e amarela, um coração, um lápis e a figura do pai do personagem. Do lado esquerdo, um quadrado amarelo escondia alguns elementos surpresas que apareciam no meio da história.

Charbelle Cancela e Marli Barreto usaram a tradicional história dos três porquinhos e colocaram todo o grupo para cantar: Quem tem medo de lobo mal, lobo mal, lobo mal... Havia um jardim feito de EVA e os palitos de sorvete representavam a cada de madeira do segundo porquinho.

E, para finalizar, Sonia, Rose Carvalho e Edinamar Santos montaram um avental com a obra O Homem que Amava Caixas, de Stephen Michael King. Lembraram que “há diversas formas de demonstrar o amor e nem sempre é tem que ser por palavras”. No caso delas, um sol enorme iluminava a história.

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