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A Fundação BRASILCAMPEÃO seleciona e prepara pessoas apaixonadas e
conscientes para atuar como mediadores de leitura.
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Encontro de Bibliotecas


por Liana Yuri

Nos dias 13, 14 e 15 realizou-se o segundo encontro do Sistema de bibliotecas municipais de São Paulo com o tema: “Ações de leitura, bibliotecas e comunidades”. A intenção foi promover uma aproximação e parcerias entre a comunidade e o Sistema de bibliotecas públicas. Presenciei nestes dias discussões bem interessantes que gostaria de transmitir a vocês.

Logo no primeiro dia fui surpreendida pela fala do psicanalista Evelio Cabrejo-Parra que falava sobre a formação da linguagem. Nada mais interessante, pois a pesquisa toda se baseava na formação da nossa “cultura linguística”, ou seja, como pensamos para nos comunicarmos. Para isso, buscou pesquisar a nossa fase de desenvolvimento mais primária: a dos bebês. Nada mais gostoso do que ver experiências de interação de bebês mordendo, lambendo, sentindo e o mais surpreendente, folheando livros! Por meio da experiência da escuta de um adulto próximo que lê deliciosamente as palavras organizadas da literatura, a voz acaricia a criança com a música da leitura, como cadenciadas canções de ninar, formando o que ele chama de inicio do desenvolvimento da música da língua no ser humano.

Assunto não menos interessante, o segundo dia foi destinado às ações culturais para os jovens. A socióloga Helena Wendel Abramo, referência em políticas públicas para a juventude, nos mostrou várias pesquisas que apontam que a maioria das ações era e continuam sendo voltadas para a prevenção da violência e das drogas e não pelo simples direito que o jovem tem como um ser humano. “Se eu não tenho tendência à violência e não uso drogas, portanto eu não posso fazer nada e não tenho nada a dizer?”, colocou um jovem, em xeque, durante uma das discussões. Falou também do olhar que a sociedade tem sobre os jovens: preguiçosos, inativos, indisciplinados, entre outras características pejorativas. Em conseqüência disso, as ações culturais tomam outros rumos e objetivos.

Depois do “chacoalhão”, o encontro seguiu com demonstrações de obras de jovens escritores e apresentação de projetos de leitura que abriram a oportunidade de dar a voz e a vez a estes protagonistas da vida. Continuei a pensar quais os lugares que possuem espaço para estes jovens... Não mais o modelo antigo da biblioteca silenciosa, mas áreas de convivência para a troca, para a turma. Quem sabe?

No terceiro dia, a conversa foi em torno do envolvimento dos projetos do governo com a comunidade, como os ônibus biblioteca e os pontos de leitura. Disseram que estão sempre objetivando a aproximação maior da população com os projetos, as bibliotecas e em conseqüência os livros.

Para o final empolgante, Sérgio Vaz e os poetas da Cooperifa libertaram-nos da formalidade do grande teatro-auditório no Centro Cultural Vergueiro para nos fazer lembrar de que a literatura ultrapassa qualquer parede, e que está presente na nossa vida, como uma forma de sobrevivência. Podemos repensar os espaços e nossos conceitos de leitura, fazendo e participando de ”Rodas” nas nossas vidas. Não ter o acesso ou ter o impedimento do não conhecimento é não ter o direito de sermos seres humanos. É isso o que também propõe o Sistema Municipal. Vamos juntos!

“A linguagem nos utiliza e nos molda ate o ponto em que, mais que falar com ela, somos falados por ela” - Juan Jose Millás

Link do encontro com os materiais

Rua Geraldo Fraga de Oliveira, 624/628 | Jd. S. Luis - São Paulo - SP | CEP 05843-000 | Fone: 11 5852-5452